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Lara Leal

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Poesia Prolongada com Pitadas de Bom Humor e Salsa

November 11

Blackout guia

Que sorte a minha
No meio do caminho
Havia um apagão

Portanto, à frente
É livre
Não há chances de sinal
Vermelho

Só há a luz dos faróis dos carros
Indicando uma só direção:
A sua.
September 17

Uma dose dos passos

Doces em sua direção

 

Uma visão

De solução

Sempre

 

Sem a sua

Como poderei

Sem a sua

 

Um peixe fora

Um copo de água fria

Um vinho dentro

E a cabeça ativa

 

Único

Par

De dois

 

Um atrás de ser

Mais um

E outro somando

Mais

Em pleonasmo constante.

August 13

Do escuro, duas claridades

Uma pausa pra um filme quente, um café gelado. Ilustrou-se dessa vez sem óculos, máscaras, foi de cara limpa. Em um momento de vazio criativo e coração cheio de (ant)agonias, foi ver um filme que trouxesse histórias para dentro de si. Ficção, algumas identificações, mas principalmente a percepção da arte, as nuances do que faz a simplicidade ser a mais extraordinária forma de expressão.

Assim refletiu sobre a casa, o amor, os amigos. Assim reconheceu em si a qualidade da espera, de quanto o momento vivido vive mais intenso quando a reflexão é melodiosa, e não escrava de um batimento estranho, de angustias que surgem sem a luz da razão.

 A noite é uma amiga, o corpo e o coração se encontram onde o escuro traz claridade. Esquecer de si é ser cúmplice concentrado em um momento intimo de dois. De novo sem máscaras, o amor revela outro estado, novo. A luz se intensifica sem dor.

 O final, nascer do dia, sol... outro, é diferente.


June 29

Bate em relevo

Um certo medo.
é como se na distancia
sem o toque dos dedos, dos olhos
dos joelhos que seja,
pudesse num estalo se desprender
esse campo magnético
que nos une
 
se uma linha se arrebentasse
e um ou dois de nós fossemos arremessados
pra fora desse conforto
que seria dessa quimica?
 
 
seria nada como já é esse medo bom
que segura as pontas,
que mantém aquecido sentimento
puro esse que fica aqui no peito a latejar.
June 15

Em Copacabana


Costumo sentar no onibus
No lado em que seja visivel
A orla

Assim vejo o horizonte
Por entre prédios
e transeuntes.

June 08

Faces


Os olhos cheios
O coração apertado
Angustia a falta
Enquanto acolhe tantos outros
encantos descobertos
Por que assim tantos lados?

Parece prece mas é só força do pensamento
Que flui na doçura no desejo de que um dia tudo se complete.


Que o amor plantado ainda seja fonte!
Tantas pétalas caindo,
Tantos botões se exprimindo
É tanto.


April 28

"A enxurrada seca"


Surge um cimento
Moreno por dentro
Viscoso por fora
Que se intera na pedra sugando sua esfera.

Redonda pedra presa em sua redoma rosa
Pome sabão do reino de João
Cabral de Melo o Ariano
Do árido incerto (ou não)
Ventre aberto da poesia toda prosa.

Aurora, aurora, aurora diz seu nome agora
Diz de onde me veio seu desenho e por que
Trago no braço um traço tão só seu que virou eu
E toda a história da veia aberta do rio de minha vida.
April 02

Disciplina

Essa menina
Essa cisma meio íntima
De se perder pelo meio
De se englobar de si, inteiro.

Volta pra fora
Entra pra fora
Desejo de imergir em meio liquido
Por fora do eixo dentro
Da casa mãe
Coruja de noite longa
A observar o fora dos outros
Por dentro dos olhos foscos
Da máquina física, sólida
Desse vírus chamado
Processador.
March 20

que passado?


Todo mês

É dia de glória

Toda hora é dia

Em segundos

Os minutos são todos

Comprimidos

De silencio rompendo o regime

Magro das imunes pátrias

Internas

 

March 01

Em dia de trovão

A porta fecha forte

O mar revolta

As ondas

Do interno bruto

Movimento

Do coração

 

Em dia ensolarado

A janela fica aberta

A areia

Dos ventos uivantes

Desembaraçam

Os cabelos.

 

 

 

Feito de cubos de açúcar

Esse

Que traz o dia

Em esplêndido

Entardecer

 

E fecha a noite

Apertando

O interruptor

Das horas secantes

Que respiram

Por sobre as retinas

 
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